Há algum tempo estou para escrever essa postagem, entretando, novos rumos foram tomados na minha carreira que me fizeram questionar muitas questões. Inclusive se devia permanecer com este blog.
Recentemente consegui reaver meu domínio valedomago.com, que havia sido suspenso por um erro na renovação - me deixando a mercê nas buscas e pesquisas da Web por cerca de dois anos.
Tal chateação e também desafios de rever minha profissão como paisagista - com a frustração por ter estudado e me dedicado tantos anos - me deixaram estagnado na tentativa de compreender e digerir essas intempéries da vida.
De todo modo, esse era o tema que pretendia abordar em 2022. Se passaram mais de três anos (estamos em Janeiro de 2026) e acho justo recaptular essa postagem que vicou suspensa por tanto tempo.
Antes de mais nada, devo dizer que minha paixão pelas plantas, pelas árvores sagradas, pela natureza e suas relações com as mitologias não mudaram. Mas mudou a maneira como as encaro, e hoje tenho um trabalho mais voltado para a Academia e muito menos independente.
Digo isso porque, possivelmente, abordarei temas com muito mais referências concretas e menos baseado em estudos livres de escritores empíricos. Isso não muda, em absoluto, os conteúdos abordados, mas tentarei trazer mais referenciais teoricos nos temas que aqui serão tratados.
Senti saudades!!
Árvore Brasileira?

Esta é uma pergunta que poucos se fazem. Afinal, se essa árvore, cujo nome científico é Paubrasilia echinata, foi quem deu nome ao país recém-descoberto, por sua abundância nessas terras, como ela já era conhecida?
Eis o paradoxo em questão, pois se a árvore é nativa no Brasil não deveriam conhece-la antes de 1500. Estou certo?
Bem, meu questionamento é legítimo e foi a partir de então que me dediquei a pesquisar essa possível contradição.
Ocorre que, embora a árvore ainda não fosse conhecida, o nome brasilina já existia para os povos europeus. Tratava-se de um corante utilizado para tingir tecidos que, por ser vermelho como o fogo, foi associado à brasa.
Muito antes do suposto e controverso "descobrimento" das Américas, a brasilina era essencial para o tingimento de tecidos. Usar vermelho era signo de prestígio para a nobreza europeia, que tinham o carmim como cor da "realeza".
Até o século XVI o corante era extraído de outra árvore, a Biancaea sappan que posteriormente ficou conhecida como Pau-brasil da Ìndia. Uma leguminosa da mesma família Fabaceae, e subfamília caesaupinioideae - das quais fazem parte o famoso Flamboyant de Madgascar e também as Cassias.
A árvore em questão, Biancaea sappan, originária da costa tropical asiática, já era explorada para extração do pigmento, antes dos portugueses desembarcarem por esses trópicos.
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Tintureiros Medievais |
Continua.....


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