sexta-feira, 7 de agosto de 2020

ENTS - As Árvores Falantes de Tolkien



Há anos desejava escrever sobre este tema, porém, para que fosse relevante, sempre acreditei que era necessária uma pesquisa detalhada, afinal, compreender a obra de Tolkien é algo que requer cuidado e atenção. Até mesmo os leitores mais assíduos e amantes de mitologias podem se equivocar quando o assunto é o universo criado por ele.
J. J. R. Tolkien é um mestre acima de quaisquer contestações e eu sempre me senti muito leigo para ousar escrever algo desconhecendo a fundo seu mundo e suas criações. São muitos livros, apêndices, cartas e muitas histórias com minúcias que até hoje são estudadas por sérios pesquisadores e estudiosos de suas obras - inclusive dentro das grandes Universidades e Academias do Mundo. 
Tolkien criou e descreveu uma terra, com mapas, rios, vales e montanhas e uma riqueza de detalhes que nunca havia sido feito antes. Em seu mundo criou seres e deu a eles aparência física e nomes peculiares, e o que é mais fantástico, desenvolveu belos idiomas, com verbos, substantivos e plurais específicos. Não existem palavras o bastante para definir o que representa Tolkien para a literatura, para os mitólogos, linguistas e para os apaixonados por histórias fantásticas.
É claro que dentro da Terra Média há muitos personagens que me atraem e é evidente que os Ents são meus favoritos, por razões que dispensam grandes esclarecimentos.



QUEM SÃO OS ENTS?


Ent

Eu era adolescente quando vi o filme "As Duas Torres" pela primeira vez e confesso que, embora tivesse gostado muito mais da "Sociedade do Anel", as cenas em que apareciam aquelas enormes árvores falantes que andavam e lutavam, me davam arrepios e eu pensava: "que criação magnífica!". Na época eu não tinha lido nenhum dos livros e todo aquele Universo de "O Senhor dos Anéis" ainda era muito novo para mim. 
Embora me considere um fã, não sou nenhum estudioso assíduo de Tolkien e tampouco um grande conhecedor de todas as suas obras, apesar de quase tudo em sua vida e criação me fascinar. Não obstante, me dediquei à estudar os Ents e às árvores da Terra Média há algum tempo e acredito que hoje posso ousar falar um pouco destes seres fabulosos. Eu realmente acredito que Tolkien tenha se inspirado nos homens -verdes (Green-Man) ao criar os Ents, pois é sabido que esta figura está intimamente ligada ao folclore da Grã-Bretanha. Talvez ele vislumbrasse como seriam os corpos daquelas cabeças foliates, e o que diriam se pudessem falar.
É sabido que Ent vem do inglês antigo "eoten" que quer dizer gigante, e Tolkien provavelmente os criou pensando nestes seres como grandes árvores. Segundo Tolkien, os ents possuiam "at least fourteen foot hight", ou seja, pelo menos quatorze pés de altura, que, ao transformarmos em metros, corresponde à 4,2m. Grandes quando comparados aos hobbits e humanos, mas longe de ser árvores gigantes,  já que um Carvalho pode chegar aos 40 metros de altura.
A primeira aparição de um Ent ocorre no capítulo IV do livro "As Duas Torres" onde o título Barbárvore faz menção ao protagonista do episódio em que os hobbits Merry e Pippin são abordados por aquele ser que parecia uma mescla de homem e troll. Era coberto de uma espécie de casca verde cinzenta e possuia braços, mãos, pernas, pés e barbas, de onde vem seu apodo "Barbárvore" ( em inglês é chamado de "Treebeard" - Árvore Barbada ). Tinha olhos solenes e penetrantes e possuia uma voz profunda como um instrumento de sopro muito grave
O Homem-Verde
Segundo a descrição de Tolkien, estar diante daquele Ent era como ter a sensação de ver um poço de memórias cujas eras ele carregava. Seu nome era Fangorn, o mesmo nome dado à floresta onde se encontrava, o que leva a crer que aquele local tenha sido nomeado como se fora a "Floresta de Fangorn", ou seja, cujo dono era o próprio Banbárvore.
De acordo com o próprio Fangorn restavam na Terra Média, além dele, apenas mais dois dos primeiros Ents cujos nomes ele diz ser Finglas (Mecha-de-Folha) e Fladrif (Casca-de-Pele). Finglas havia ficado "arvoresco" e Fladrif refugiou-se nas colinas após ser ferido pelos Orcs e fora viver com as Bétulas. Contudo, muitos outros Ents aparecem na história e são descritos tão diferentes um dos outros como as árvores são entre elas. Alguns Ents eram robustos e lembravam carvalhos (assim como Barbárvore) outros se pareciam com freixos e eram altos, eretos e cinzentos. Há também os que se assemelhavam às castanheiras, com pernas curtas e grossas mas os mais altos deles lembravam mesmo os grandes pinheiros. Porém, mesmo que diferentes fisicamente, todos tinham a mesma expressão lenta, firme e pensativa - como uma árvore costuma ser.
Conforme diz "O Senhor dos Anéis" os Ents não eram árvores, mas sim seres protetores das árvores e  semelhantes à elas. Eram os mais antigos habitantes da Terra Média e Barbárvore o mais velho destes seres - segundo Gandalf, a criatura mais longeva que caminhava sob o sol .
Apesar de parecerem um tanto amistosos no filme, o livro é claro ao se referir o quão temida era a Floresta de Fangorn, onde poucos ousavam adentar. "Barbárvore é perigoso" - diz Gandalf - "porém gentil e sábio". 
Eu acredito que os Ents podem ser entendidos não somente como seres fantásticos, mas uma representação de como seriam as árvores se estas pudessem falar e se defender dos machados e serras que as destroem. Sim, seriam perigosas, e com toda razão. Entretando, são muito gentís, generosas e sábias, basta observar como se comportam diante dos homens que há tantos séculos lhes desrespeitam.
Bem, de toda forma algo que Tolkien nos ensina é que elas estavam aqui antes de nós e possivelmente estarão quando nós não mais estivermos. Assim, sabiamente desprezam nossos comportamentos, afinal somos só mais um dos seres que elas verão passar.



Abaixo segue trecho do audiobook referente ao capítulo IV de "O Senhor dos Anéis - As Duas Torres" que narra o momento em que Barbárvore se mostra aos Hobbits e conta a sua história.




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