sábado, 4 de janeiro de 2020

Oxóssi - O Dono das Matas



Odé

Uma vez abordado no último post o mito de Ossain, um dos quais Oxóssi (Odé - O Caçador) faz parte, nada mais justo do que falar sobre este Orixá cujas lendas são tão ricas.
Oxóssi é o orixá caçador, o que não erra uma só flecha. É filho de Iemanjá (Rainha do Mar) com Oxalá (O Orixá da Criação), irmão de Xangô, Ogum e Exú. 
O culto a este Orixá foi trazido com os negros escravizados que vieram da África em meados do século XVIII. O antigo reino de Daomé cultuava Oxóssi como um antigo Rei de Ketu, cidade que hoje pertence à República do Benim
De acordo com Pierre Verger (pesquisador francês, radicado no Brasil, e um nos mais respeitáveis escritores sobre os mitos africanos) o culto a Oxóssi, embora bastante popular no Brasil, é pouco difundido na África. Isto ocorre porque este orixá era cultuado basicamente em Ketu e a região foi praticamente devastada pelas tropas daometanas. Ocorre que grande parte de seus habitantes foram vendidos como escravos aos mercadores que vinham ao Brasil e às Antilhas o que fez com que Oxóssi se tornasse um dos mais venerados Orixás do Candomblé Brasileiro.


Kétou - A cidade de Odé



Oxotocanxoxô - O caçador de uma só flecha


Há diversas lendas sobre Oxóssi e muitas distintas que de forma alguma se anulam, mas torna os mitos africanos ainda mais numerosos. Esta é uma característica do Candomblé do Brasil que, embora seja vista por muitos leigos como uma religião que cultua as antigas deidades negras dos antigos habitantes exilados de suas terras, não se anula em uma única doutrina ou dogma.
Há, pelo menos, três narrativas diferentes que descrevem como Oxóssi recebeu o título de "Caçador de uma só flecha", dentre elas conta-se que:



Okê Arô
Todos os anos o rei de Ifé (cidade localizada na atual Nigéria) comemorava a colheita dos Inhames com uma grande festa. Porém, em certo ano, no dia da cerimônia, um grande pássaro de grandes asas sobrevoou o teto do palácio assustando todos os convidados e ameaçando acabar com as comemorações. O pássaro fora enviado pelas mães feiticeiras conhecidas como Iamís.

O rei, aterrorizado, mandou chamar os melhores arqueiros para que pudessem atingir o pássaro gigante. Assim, muitos se dispuseram a atingir a ave atirando suas flechas. Todos fracassaram, pois o pássaro fora enviado pelas Iámis como castigo por elas não terem sido convidadas para a festa.

Oxóssi, com toda a sua inteligência e astúcia, sabia que, embora fosse corajoso e excelente caçador, havia algo de mágico naquela aparição e dificilmente conseguiria enfrentar a ira das bruxas, já que outros exímios arqueiros tinham falhado. Odé, pediu então à sua mãe para que fizessem uma oferenda às feiticeiras a fim de apazigua-lhas . Assim a mãe fez o sacrifício para abrandar as Iamís.

Uma vez realizada a oferenda, O orixá arqueiro mirou o alvo e disparou uma única flecha, atingindo certeiramente a ave monstruosa. Todos ficaram estupefatos com o feito daquele Odé, pois muitos dos melhores arqueiros haviam tentado muitas vezes sem conseguir sequer se aproximar do pássaro gigante e arriscando suas próprias vidas.


Dessa forma, Odé salvou a nacão de Ifé e se tornou o mais honrado dos arqueiros passando a ser chamado de Oxotocanxô, o caçador de uma só flecha


A Coruja - Símbolo das Iamís


Os Filhos de Oxóssi

O Caçador
De acordo com o Candomblé, os "Filhos de Oxóssi" ou os "Típicos de Oxóssi" carregam consigo características de caçadores: são joviais, flexíveis, rápidos e independentes. Têm como postura a esperteza e o foco, porém, podem facilmente se dispersar - afinal os caçadores precisam estar atentos aos perigos à espreita para não se tornarem eles mesmos as caças. 
Assim, os filhos deste Orixá tendem a possuir uma paciência peculiar e procuram não acelerar demasiado para atingir seus objetivos, aguardando o momento certo para acertar a presa; como se seus movimentos fossem devidamente calculados para que no instante exato possam lançar a flecha.
Diz-se que, filhos de Oxóssi têm uma tendência ao isolamento quando precisam trabalhar, como se necessitassem da solitude para desempenhar suas funçõe cuidadosamente, entretanto têm um forte senso de responsabilidade e dever social, já que é ele o responsável pelo suprimento da tribo e seu trabalho é fundamental para prover o bem-estar da comunidade .





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